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Tocantins se consolida como um dos destinos preferidos dos ecoturistas

Tocantins se consolida como um dos destinos preferidos dos ecoturistas

15/03/2022 às 11h44 Atualizada em 15/03/2022 às 11h44
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Tocantins se consolida como um dos destinos preferidos dos ecoturistas

WanjaNóbrega/Governo do Tocantins

Ecoturismo cresceusignificativamente desde 2020, quando visitantes passaram a preferir locaisisolados e em contato com o meio ambiente

Jalapão se consolida como um dos destinos preferidos para quem busca oturismo de aventura ou turismo de contemplação (Arquivo Naturatins)

O ecoturismo no Brasil tem crescidoconsideravelmente nos últimos anos, quando cada vez mais visitantes passaram ase interessar por locais onde o contato com a natureza é o principal apelo.

A última pesquisa com foco no turismo, realizadapelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio daPesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), em 2019, mostrouque 60% das pessoas que viajaram a passeio em todo o Brasil procuraram locaisafastados dos centros urbanos em busca de natureza, com grande diversidade naoferta de experiências.

No segundo semestre de 2020, quando as pessoascomeçaram a viajar novamente (depois de meses em quarentena por causa dapandemia da Covid-19), os locais isolados, amplos, com muito contato com o meioambiente foram os mais procurados. E de todos os destinos de ecoturismo,turismo de aventura ou turismo de contemplação existentes no Brasil, o Jalapãofoi escolhido por muitos. 

Essa tendência se manteve em 2021, quando o ParqueEstadual do Jalapão (PEJ) bateu recorde de visitação. Foram 55.579 visitantes,maior número registrado desde 2012, quando começou a série histórica registradapelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), responsável pela gestão doPEJ e também da Área de Proteção Ambiental (APA) do Jalapão, onde o Parque estáinserido. 

A supervisora da APA, Rejane Nunes, lembra que,apesar do aumento no interesse em conhecer as belezas da região, o local é umaUnidade de Conservação (UC) e, por isso, o acesso aos atrativos, mesmo os queestão localizados no interior do parque sob a gestão dos comunitários ou emáreas particulares, têm capacidade de carga estabelecida e horário de visitaçãopara segurança do visitante e conservação do atrativo.

Ela ressalta que o principal objetivo de umaunidade de conservação é proteger a biodiversidade e no caso do Parque Estadualdo Jalapão, sua criação visa principalmente a preservação de ecossistemasnaturais, a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento deatividades de educação ambiental e de recreação em contato com a natureza, ondeo visitante tem a oportunidade de se reconectar em áreas de natureza abundantee ao mesmo tempo elevar a consciência ambiental.

A supervisora esclarece ainda que, além do trabalhode monitoramento e fiscalização realizado pelo Naturatins, os próprioscomunitários, guias e operadores de turismo credenciados para atuarem na regiãoajudam a orientar os visitantes quanto à exigência das normas de visitação,deixando o local do mesmo jeito que encontraram. “Todas as pessoas que atuam nosetor do turismo em Unidades de Conservação sabem que o que atrai o visitante éa natureza, por isso se esforçam para que esta esteja sempre pronta paraencantar o próximo grupo”, pontua Rejane Nunes. 

Normas

Em outubro do ano passado, o Governo do Estadopublicou a Instrução Normativa 003/2021, feita em conjunto entre o Naturatins ea então Agência de Desenvolvimento do Turismo Cultura e Economia Criativa(Adetuc), alterando as normas de visitação nos atrativos públicos do Jalapão,bem como os horários em que é permitida a visitação. Os atrativos públicos, ouseja, aqueles que estão em áreas do Estado, são as Dunas, a Serra do EspíritoSanto, a Cachoeira da Velha e a Prainha do Rio Novo. 

De acordo com a norma vigente, a capacidade decarga dos atrativos Dunas, Cachoeira da Velha e Prainha do Rio Novo é de 200pessoas por dia. Já na Serra do Espírito Santo o limite é de 100 pessoas/dia.Essas visitas devem ocorrer das 7 às 11 horas e das 14 às 18 horas nas Dunas;das 4 às 11 horas na Serra do Espírito Santo; e das 8 às 16 horas na Cachoeirada Velha e Prainha do Rio Novo. 

A mesma Instrução Normativa também impõe que parater acesso a esses locais públicos é preciso estar acompanhado de Guia deTurismo ou Condutor Ambiental, devidamente credenciado pelo Naturatins. 

Off road

“Se era para me isolar, então resolvi me isolarjunto à natureza”, diz o baiano Hugo Azevedo que passou um mês inteiro naregião, em 2021. Ele narra que escolheu o destino por meio de fotografias queviu em perfis de redes sociais de pessoas que já tinham conhecido o local. “Ofato do Jalapão ser off road (sem estradas pavimentadas deacesso) tornou minha escolha mais fácil, porque adoro esse tipo de ambiente, emque só chega lá quem realmente está com muita vontade de chegar”, opina ovisitante.

Os presidentes das entidades que representam osoperadores de turismo do Jalapão explicam que é justamente essa característicaque atrai os aventureiros que torna o passeio para o Jalapão caro e, portanto,inacessível para muitos, inclusive para a maioria dos tocantinenses. 

De acordo com Mauro Celso Fontoura, presidente daAssociação de Turismo Regional do Jalapão (Atureja), em Ponte Alta doTocantins, o acesso difícil, onde só é possível chegar com veículo traçado, eas passagens aéreas para Palmas, que é fim de linha aérea, fazem com que ospacotes turísticos sejam caros. 

O presidente da Associação Jalapão Dourado,localizada em São Félix, Mário Luiz Alencar Araújo, acredita que o Jalapão é umdestino turístico consolidado. “O Jalapão não é modinha e já é conhecido hojeno Brasil e no mundo, é uma potência do ecoturismo, do turismo de aventura. Euacredito que esse potencial tem a tendência de crescimento, inclusive em 2021foi o recorde de visitantes e cada ano vai superar", pontuou. 

Ecoturista

Os presidentes de associações dizem que existe umperfil mais ou menos definido do visitantes da região. “Em sua grande maioria,os turistas quando procuram o Jalapão já conhecem até mais do que os guias; sãopessoas de grandes centros, com uma consciência ecológica até maior do que nósque moramos aqui e trabalhamos aqui”, avalia Mário Luiz.

Fontoura acredita que 80% dos turistas que procuramo Jalapão sabem o que quer, para onde quer ir, capacidade de carga, duração dalocomoção e outras informações importantes. “Apenas 20% são aqueles turistasperdidos, que não sabem onde estão, o que são os atrativos, nem o que écapacidade de carga e precisam ser orientados sobre tudo. Mas, o maisimportante é que as pessoas têm muito interesse neste tipo de turismo e oJalapão tem potencial para ser um destino mais competitivo”, conclui. 

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