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Tocantins é um dos locais preferidos para os observadores de aves

Tocantins é um dos locais preferidos para os observadores de aves

04/04/2022 às 23h04 Atualizada em 04/04/2022 às 23h04
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Tocantins é um dos locais preferidos para os observadores de aves

Wanja Nóbrega/Governo doTocantins

Conhecida comobirdwatching, a observação de aves é uma atividade de baixo custo, disponívelpara todas as idades, que relaxa a mente e mantém o praticante em contato com anatureza, mesmo morando em centros urbanos

Fotos: FernandoAlves/Governo do Tocantins

Conforme a plataforma Wikiaves, existem 1.919espécies diferentes da avifauna reconhecidas e catalogadas no Brasil

Turismo de baixíssimoimpacto ambiental, ao mesmo tempo em que proporciona uma experiência singular,a observação de aves é um segmento do ecoturismo que vem crescendo muito nosúltimos anos, atraindo pessoas de todas as faixas etárias. E o Tocantins, graçasà sua variedade de ambientes, é um dos locais preferidos para os amantes dochamado birdwatching.

De acordo com aplataforma Wikiaves, existem 1.919 espécies diferentesda avifauna reconhecidas e catalogadas no Brasil. E dessas, o Tocantinsregistra a ocorrência de 650 espécies. Ou seja, um terço de todas as avesregistradas no país pode ser vista no Estado, tornando-o um importante destinopara os observadores de pássaros amadores ou profissionais.

Em 2020, o Governo do Tocantins lançou um guia comaves do Estado

A explicação para tantadiversidade de aves está no mosaico de ambientes encontrados no Estado, quepossui espécies tanto do bioma Cerrado, quanto da Floresta Amazônica e daCaatinga.

Felipe Diego Cavalcanteé fisioterapeuta e começou a observar aves por acaso. “Certa vez estavaesperando minha noiva sair do trabalho, próximo à Praça dos Girassóis, emPalmas, e enquanto esperava, no final da tarde, comecei a perceber a variedadede aves que passavam por ali, mesmo sendo no centro da cidade, e aquilo me chamouatenção”, lembra.

Depois de alguns dias,sempre esperando no mesmo local e vendo cada vez mais espécies diferentes, ofisioterapeuta resolveu profissionalizar sua observação. “Parece loucura, mascomprei binóculos e comecei a observar e até a fazer anotações sobre aves alimesmo, em plena área urbana, e pensei nas possibilidades de espécies quepoderiam ser vistas na zona rural”, conta Diego.

Desde então, sua rotinade finais de semana tem sido levantar cedo para procurar novos lugares eampliar a experiência. “Eu indico a observação de aves para todo mundo, pois éuma experiência única, quando você levanta cedo, procura um local afastado,como Taquaruçu ou a Serra do Lajeado, a procura de novas espécies. Érevigorante”, afirma, dizendo que além dos olhos, os ouvidos dos observadoresde aves também ficam treinados para os cantos diferentes que cada espécie tem.

O biólogo e ornitólogodo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), Marcelo Barbosa, é pesquisadore apaixonado por aves. Ele explica que a observação de aves é uma atividade emexpansão em todo o Brasil e no Tocantins não é diferente. Segundo ele, o Estadoapresenta algumas espécies bem importantes, que estão na lista de observadores,que vêm de longe para ver os pássaros daqui, em busca de espécies inéditas. “Amaioria dos observadores vem de São Paulo, mas já recebi gente de Minas Gerais,Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Brasília”, declara Barbosa.

Ele acrescenta que empraticamente todo o Tocantins é possível praticar a atividade e registrar apresença de diversas espécies. “Dependendo do observador, temos bons pontos deobservação, tanto na região de Palmas e entorno, como também na região doAraguaia, Jalapão e também na região Sudeste, próximo ao município de Aurora doTocantins, além do Cantão”, pontua o ornitólogo.

De acordo com MarceloBarbosa, todos os observadores de aves têm uma espécie preferida, aquela queencontrá-la passa a ser um ideal. “Mas, isso depende de cada observador; cadaum têm suas preferências, mas claro que quanto mais rara for a ave, mas ela se torna desejada pelos observadores, como o pica-pau-da-taboca, cujapresença foi registrada no Tocantins e está ameaçada de extinção”, ilustra.

Iniciação

A observação de avespode ser praticada por pessoas de qualquer faixa etária e condiçãosocioeconômica. “Para começar é muito simples e para praticar basta ter boavontade e, se preferir, usar binóculo ou máquina fotográfica para registrar ouainda um celular, que pode além de fotografar, gravar também os cantos de cadapássaro encontrado”, pondera Marcelo Barbosa, completando que o mais importantepara quem quer começar é disposição para acordar cedo, porque as aves têmhábitos diurnos e começam suas atividades ao nascer do sol.

Barbosa orienta que paracomeçar a praticar o birdwatching não precisa viajar ouprocurar locais afastados, devendo priorizar inicialmente a praça de seu bairroou até mesmo o quintal. Aos poucos, o observador pode ir evoluindo e procurandocada vez mais locais onde há incidência de outras espécies. 

Felipe Stephanes éestudante de geologia e trabalha como designer gráfico. Há dois anos, no inícioda pandemia, ganhou uma máquina fotográfica. Passou então a registrar aves e aatividade virou, inicialmente, um hobby, e se tornou uma paixão. “Sempre moreiem locais pequenos, afastados da cidade e, mesmo trabalhando com tecnologia,sair para caminhar e observar pássaros não foi um problema para mim, mas, sim,um momento de descanso e paz”, define Stephanes.

Ele garante que nuncateve muito interesse por aves, mas quando começou a fotografá-las e a percebera enorme variedade de espécies, cada uma com suas cores, tamanhos e cantos,isso o deixou fascinado e ele não conseguiu mais parar. “É como se fosse umacoleção; sou muito viciado em colecionar coisas, então fotografar e catalogaraves virou para mim uma coleção, que eu quero aumentar cada vez mais”, ilustra.

A maior parte dasaventuras de Stephanes foi realizada no entorno de sua própria casa, na regiãode Bom Jesus do Jaú ou Serra do Carmo, zona rural de Palmas . “Eu costumo sairquase todos os dias, a partir das 16 horas, a pé ou de bike; às vezes vou pelamanhã, alternando os locais para ter mais chance de observar espéciesdiferentes ou espécies que estão chegando e passando por ali pela primeira vez”,ensina o observador.

Exposição

Com o objetivo decompartilhar suas experiências na observação de pássaros, Felipe Stephanesabriu em março uma exposição onde compartilha 20 fotos artísticas de aves daregião registradas por ele. A exposição, que segue aberta até 8 de abril, nasala de exposição do Espaço Cultural José Gomes Sobrinho, em Palmas, e tambémno site www.curtapalmas.com, da Fundação Cultural de Palmas.

Na exposição, oestudante e designer apresenta desde aves endêmicas e migratórias do Chile atédo Norte do Canadá, até outras nativas do Cerrado. Todas as fotografias daexposição foram tiradas na área rural de Palmas, nos últimos quatro meses. Asimagens serão acompanhadas de uma trilha sonora com o canto das avesretratadas, além de uma ficha técnica com informações sobre a espécie.

Stephanes diz que um dosmomentos mais emocionantes vividos por ele foi quando estava caminhando numatrilha e parou para escutar as aves. “Na época eu só olhava para cima, achandoque as aves estavam sempre no alto, mas quando olhei para ver onde eu estava,avistei uma ariramba-de-cauda-ruiva a dois metros de mim, cantando baixinho”,lembra.

Ele prossegue dizendoque se encantou com a beleza do pássaro e precisou ter muito controle dosmovimentos para conseguir se abaixar e regular a câmara fotográfica semespantá-la. “A foto estará na exposição e eu a considero a mais bonita detodas”, opinou. Ele conclui dizendo que “meu sonho é encontrar opica-pau-da-taboca, também conhecido como obrieni, espécie ameaçada deextinção, famosa pela música Rio do Coco, do cantor Lucimar”.

Guia

Em 2020, o Governo doTocantins lançou o Guia de Campo – Aves do Tocantins, com o objetivo deauxiliar observadores de aves, especialmente os iniciantes, na identificação depássaros em campo e em pesquisas sobre a avifauna do Estado. O guia possuiinformações sobre a prática para quem quer ser observador de aves, além de umabreve amostra de espécies que podem ser encontradas. O guia está disponívelpara downloads no link  https://central.to.gov.br/download/5260.

História

Segundo a literaturaespecializada, o birdwatching teve início ainda no século XIX,na Europa, e depois de espalhou e ganhou adeptos em todo o mundo. No Brasil, aatividade já era praticada há décadas, mas se tornou mais conhecida já noinício dos anos 2000, quando passou a virar, inclusive, tema de eventosespecializados, como o Avistar Brasil.

 

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