

Para mostrar a históriade Guimaraes Rosa, sua obra fantástica, existe o Museu Casa Guimarães Rosa, que abriga um bom acervo da vida e obra do escritor, a casa onde morou com sua famíliadesde seu nascimento, em 1908, até os 9 anos de idade. Logo depois, foi morar eestudar em outros locais.
Minas são muitas..., é uma das frasesmarcantes do grande mineiro João Guimaraes Rosa, escritor, diplomata ebrasileiro dos bons, que nasceu em cidade de Cordisburgo, localizada a 130 Kmde Belo Horizonte.
Localizada na Rua Padre João, esquinacom a Travessa Guimarães Rosa, a Casa apresenta varanda lateral, cunhais demadeira pintada, paredes de adobe, cobertura em duas águas (tipicidade dotelhado), vãos internos em linhas retas e acabamento singelo. Conserva planta earquitetura originais, concebido como centro de referência da vida e da obra doescritor mineiro e como núcleo de informações, estudos, pesquisa e lazer.
Hoje é um museu que reúne bom acervode fotos, coleção com as ilustres gravatas-borboleta, aproximadamente 700documentos textuais, toda a obra literária, originais manuscritos oudatilografados, a exemplo de Tutaméia (última obra publicada), matrizes dexilogravuras usadas em volumes como Corpo de Baile (1956), espada, bainha ediploma da Academia Brasileira de Letras, máquina de escrever, rascunhos detrabalhos e outros objetos pessoais.
Preserva também outros registros davida de Guimarães Rosa como médico e diplomata, objetos de uso pessoal,vestuário, utensílios domésticos, mobiliário e fragmentos do universo ruralpresente na literatura roseana. Aliás, esse fato está ligado ao fato de oescritor ter morado na cidade mineira de Itaguara, onde permaneceu por doisanos, e onde passou a ter contato com elementos do sertão.
Um detalhe bem interessante é que emum cômodo frontal da casa foi reconstituída uma venda típica das existentes naspequenas cidades mineiras, para representar o antigo comércio de FloduardoPinto Rosa, pai do escritor. Na “venda de seu Fulô”, o menino Joãozito cresceuouvindo histórias contadas pelos frequentadores do lugar.
Semana Rosiana celebraos 70 anos da viagem de 1952 e os 60 anos de lançamento do livro PrimeirasEstórias
Guimaraes Rosa e suatropa no portal em Cordisburgo
Entre os dias 10 e 16 dejulho de 2022 será realizada a 34ª Semana Rosiana, em Cordisburgo. A ediçãodeste ano tem duplo tema: os “70 anos da viagem de 1952 – a Boiada” e os “60anos do livro Primeiras Estórias”.
A Semana Rosianaacontece há 34 anos em data próxima ao aniversário de nascimento do escritorJoão Guimarães Rosa, atraindo para Cordisburgo um turismo culturalsignificativo proveniente de várias regiões do Estado e do país, além de reunirpesquisadores, estudiosos provenientes de vários centros acadêmicos eadmiradores da obra rosiana.
O evento abrangediferentes atividades artísticas, como narrações de estórias, caminhadasliterárias urbana e eco-literária, roda de leitura, palestras, mesas redondas,oficinas de arte, apresentações teatrais, lançamento de livros, entrega demedalhas pela Câmara Municipal de Cordisburgo, posse de novos acadêmicos naAcademia Cordisburguense de Letras Guimarães Rosa e feira gastronômica.
A Semana Rosiana é umarealização da Academia Cordisburguense de Letras e conta com apoio do Grupo deContadores de Estórias Miguilim; CEMIG; Prefeitura Municipal de Cordisburgo;Associação dos Amigos do Museu Casa Guimarães Rosa; Grupo Caminhos do Sertão;Roda de Leitura do IEB/USP; Cordis Notícias; Câmara Municipal de Cordisburgo; Secretariade Educação, Cultura, Esporte e Lazer de Cordisburgo e Secretaria Municipal deTurismo de Cordisburgo.
Guimaraes Rosa viajava com sua tropa para sentir osertão mineiro
70 ANOS DA VIAGEM DE1952 – A BOIADA
Em maio de 1952,Guimarães Rosa realizou uma viagem ao sertão de Minas Gerais para acompanhar atravessia de uma boiada da fazenda da Sirga (Andrequicé, Três Marias-MG), depropriedade do seu primo Chico Moreira, até a fazenda São Francisco(Araçaí-MG).
Nesse percurso de 240km, o escritor registrou centenas de anotações numa cadernetinha de bolso.Anotou em detalhes suas observações, as cenas, inclusive a data, a hora emminutos e as léguas percorridas. O conjunto dessas notas de viagem denominou de“Boiada”.
A viagem ganhou, naépoca, as páginas da revista “O Cruzeiro”, com reportagem do jornalista Álvaresda Silva e fotografias de Eugênio Silva, que cobriram os últimos dias datravessia da “Boiada”.
A “Boiada” representa uminventário informal da fauna e da flora, uma cartografia do sertão mineiro nadécada de 1950 e uma descrição que enaltece a vida sociocultural sertaneja. Aleitura das anotações de Guimarães Rosa transporta o leitor para o sertão deMinas e o leva a apreciar as descrições minuciosas e poéticas. O leitor sedelicia e se encanta com os sons, os cheiros, as cores, o vento.
Guimarães Rosa buscavaexatamente a natureza menos manipulada, menos transformada pelo modelocapitalista. Para tanto, viajou para o sertão de Minas, para a região de suaterra natal, Cordisburgo, a cidade do coração, outrora Vista Alegre. Ao invésdo carro, uma mula; ao invés do urbano, o rural; em vez de diplomatas,vaqueiros e bois; ao invés de documentos oficiais, anotações.
Ao retornar ao Rio deJaneiro, onde residia, o escritor datilografou e organizou todas as anotaçõesde “Boiada”. À medida que ia aproveitando essa “bela pilha de papel sortida devitaminas” na criação de seus livros, anotava e cobria o texto com hachuras,tornando os datiloscritos coloridos e graciosos.
60 ANOS DO LIVROPRIMEIRAS ESTÓRIAS
Publicado em 1962, seisanos depois do romance Grande Sertão: Veredas, Primeiras Estórias é consideradona escola literária como obra pertencente à terceira fase do Modernismobrasileiro. Seus vinte e um contos retratam os questionamentos de suas personagenssobre os conflitos da existência humana, o que corrobora o argumento de queGuimarães Rosa seja um escritor universalista.
Apesar de despertarcuriosidade, pode-se justificar o título do livro a partir do resgate que oautor faz das narrativas em seus primórdios, em suas gênesis. Outro argumentoque defende o título é a mudança na forma como o escritor escreve seus contos.Rosa apresenta contos mais compactos. Depois de lançar três grandes livros, comseiscentas páginas em média cada um, Primeiras Estórias é apresentado comcontos mais curtos, reflexivos e herméticos, sem perder as características dasescritas peculiares de Rosa. Já a palavra Estória sugere algo advindo daimaginação, apesar do escritor utilizar cenários e personagens reais em algunscontos.
Dentro da genialidadeque se espera de Guimarães Rosa, é possível perceber que os contos dialogamentre si. Se espelham, se correspondem. Não é à toa que o escritor decidecolocar bem no meio do livro, um conto chamado “O espelho”, entre os dezprimeiros e dez últimos contos. Pode-se acreditar que esse conto seja umdivisor de águas entre as demais estórias do livro.
Confira a programação completa no Instagram do Museu Casa Guimarães Rosa
Reestruturação doFundo Geral de Turismo
O Plenário do Senado Federal aprovou a proposta (PL2380/2021) que reestrutura o Fundo Geral de Turismo (Fungetur). O projeto giraem torno de três eixos: provimento de recursos e viabilização de garantias aostomadores finais de empréstimo da cadeia do turismo; estruturação de projetosvoltados aos destinos turísticos; e ações de promoção turística, que incluempublicidade.
A propostacom origem na Câmara reestrutura o Fundo Geral de Turismo, Fungetur, fundocriado há 50 anos, para promover suporte financeiro ao setor turístico eincentivar o desenvolvimento da cadeia produtiva do turismo, possibilitandodisponibilização de linhas de crédito.
As mudançassão necessárias porque, apesar dos esforços do Ministério do Turismo, ao qual ofundo está vinculado, os empreendimentos do setor turístico, especialmente osde menor porte, continuam tendo dificuldades na obtenção de empréstimos.
Em 2019,eram apenas oito as instituições financeiras aptas a operar as linhas decrédito do Fungetur. Para facilitar o acesso aos recursos do fundo, pelo setorpúblico ou privado, a proposição permite que o Poder Executivo credencie paraoperacionalização do Fungetur bancos múltiplos, de desenvolvimento ecomerciais; agências de fomento estaduais; cooperativas de crédito; bancoscooperativos; caixas econômicas; fintechs; organizações da sociedade civil deinteresse público e outras instituições financeiras públicas e privadas comfuncionamento autorizado pelo Banco Central do Brasil.
Workshop da ABAV - MG
A AssociaçãoBrasileira de Agências de Viagens de Minas Gerais - ABAV/MG promoverá no dia 21de junho de 2022, a 47ª edição do Workshop no interior. Desta vez, a cidade deJuiz de Fora será sede do evento.
Caravanas das cidades de Conselheiro Lafaiete, OuroBranco, Barbacena, Tiradentes e São João Del Rei também estarão presentes.
Coluna MinasTurismo Gerais Jornalista Sérgio Moreira @sergiomoreira63 informações para [email protected]
Mín. 23° Máx. 35°





