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Lideranças Karajá querem implantar o turismo na Ilha do Bananal

Lideranças Karajá querem implantar o turismo na Ilha do Bananal

26/03/2023 às 08h03 Atualizada em 26/03/2023 às 08h48
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Lideranças Karajá querem implantar o turismo na Ilha do Bananal

Seleucia Fontes/Governo do Tocantins

Representantes do Governo do Tocantins e da Funaiacompanharam a festa do Hetohoky, na Aldeia Santa Isabel, e discutiram vários projetos.

O Hetohoky, tradição preservada entre o povo Iny,poderá ser aberto aos turistas_Tharson Lopes_Governo do Tocantins

Assumir o papel de protagonismo na atração deturistas ao Tocantins, com foco na valorização cultural e ambiental, para gerarnão apenas emprego e renda, mas principalmente cidadania e preservação dastradições indígenas. Esta foi uma das demandas apresentadas pelas lideranças dopovo Karajá, no último final de semana.

A reunião ocorreu durante a festa do Hetohoky, naAldeia Santa Isabel do Morro, na Ilha do Bananal, e contou com a participaçãode representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai), das secretarias deCultura, Turismo e Comunicação do Estado e da secretária dos Povos Origináriose Tradicionais, Narubia Werreria Karajá.

Durante reunião na casa do cacique, foramapresentadas várias demandas do povo Karajá_Tharson Lopes_Governo do Tocantins

Durante o encontro foram levantadas demandasrelacionadas a setores diversos. O desenvolvimento de projetos de etnoturismo naIlha do Bananal foi pontuado como um eixo ligado a outras necessidades, comoinfraestrutura básica de saneamento e melhorias habitacionais, infraestruturaturística em lagos propícios à pesca esportiva, trilhas e acampamentos parapernoite dos visitantes, além de apoio e divulgação de eventos culturais ehistóricos e para a produção artesanal.

O gestor público Marcos Miranda e o arquiteto LuizHildebrando, que representaram a Secretaria de Turismo, ressaltam que já háações em desenvolvimento pela Pasta e que deverão ter continuidade, incluindonovas capacitações para condutores de turismo indígenas e ajustes naorganização das festas, em conformidade com as lideranças locais. A Secretariade Cultura esteve representada pelo técnico Kenar Lima, da Gerência de EconomiaCriativa, que realizou levantamento da atividade artesanal.

“O Governo do Estado está comprometido com a tarefade melhorar as condições de vida das comunidades indígenas tocantinenses e oetnoturismo pode exercer um papel estratégico”, afirma o secretário de TurismoHercy Filho, pontuando que as ações devem envolver as secretarias dos PovosOriginários e Tradicionais e da Cultura, além de outras pastas e instituições.

Tião Pinheiro, secretário de Cultura, ressalta quea elaboração de políticas públicas para o setor é uma orientação do governadorWanderlei Barbosa. “O Governo do Tocantins tem a missão de valorizar a ricacultura dos povos indígenas”, pontua.

Interesse

O interesse em mostrar o Hetohoky (lê-se Retorrokã,que significa Casa Grande) aos turistas foi ressaltado pelo cacique da AldeiaSanta Isabel, Tuilá Silva Karajá, durante a reunião. O ritual, que marca apassagem dos meninos para a vida adulta, é apenas um dos eventos tradicionaisdo povo Iny (Inã), que inclui ainda os Javáe, também habitantes da Ilha doBananal, e os Xambioá. 

Também vivem na Ilha os Avá Canoeiro e valeressaltar que toda a área é um santuário ambiental preservado que guarda umahistória pouco contada: além de ter abrigado uma base aérea com presençamilitar fixa, quase foi transformada em balneário pelo presidente JuscelinoKubitschek, que chegou a construir um hotel onde recebeu autoridades nacionaise internacionais. Após um incêndio, ficaram as ruínas da construção, localizadana Aldeia JK.

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