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Ilha do Bananal: meninos se tornam adultos no ritual Hèrèrawo na Aldeia Canuanã

Ilha do Bananal: meninos se tornam adultos no ritual Hèrèrawo na Aldeia Canuanã

06/02/2024 às 07h38 Atualizada em 06/02/2024 às 07h38
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Ilha do Bananal: meninos se tornam adultos no ritual Hèrèrawo na Aldeia Canuanã

Em mais umasemana de ritual do povo Javaé, a Aldeia Canuanã, em Formoso do Araguaia, naIlha do Bananal, realiza a passagem de cinco meninos para a vida adulta com oritual Hèrèrawo.

Fotos:Manoel Júnior - Sepot/Governo do Tocantins 

Durante o ritual, os espíritos da mata, chamados de “aruanãs”, rodeiam a casa epronunciam cânticos

Vestidos com indumentárias feitas de palha, ornamentados com adereços coloridose penas na cabeça, eles representam animais

Durante o Hèrèrawo, a “casa pequena”, os adolescentes passam pela cerimôniade transição para a vida adulta

ASecretaria de Estado de Povos Originários e Tradicionais (Sepot) se fezpresente para dar apoio a esse momento de alegria para as famílias, com oobjetivo de valorizar costumes e tradições da população indígena.

Dentro doHèrèrawo, a “casa pequena”, os adolescentes passam pela cerimônia de transiçãopara a vida adulta. Durante a festa, os espíritos da mata, chamados de“aruanãs”, rodeiam a casa e pronunciam cânticos. Vestidos com indumentáriasfeitas de palha de palmeira que envolvem seus corpos e rostos, ornamentados comadereços coloridos e penas na cabeça, eles representam animais.

Assim comoo Hetohoky, a "casa grande" venerada pelo povo Iny (Karajá,Karajá-Xambioá e Javaé), no Hèrèrawo os aruanãs conduzem os adolescentes aparticiparem ativamente das atividades do ritual.

Os jovenssão instruídos sobre a cultura Javaé, suas tradições e valores, recebendolições de disciplina e respeito ao longo de todos os dias da cerimôniacultural. Ao encerramento do evento, eles participam de rituais simbólicos,como o banho no rio, a remoção das penas usadas durante a cerimônia, o corte ecuidado com os cabelos. Finalizando, realizam a pintura corporal,transformando-se em adultos guerreiros. 

Ao todo,200 pessoas trabalham diretamente para a passagem dos adolescentes, envolvidosdesde a alimentação até o alojamento. A cerimônia cultural é organizada pelochefe da manifestação Edivaldo Iddjriwé Javaé com o apoio das famílias. “Essafesta é um chamado ancestral, sempre bem organizada. Aqui temos meninos de 12 a18 anos, passando para a fase adulta”, explicou. 

AmauriAsuiri Javaé tem um filho participando do rito e afirmou que o Hèrèrawo é ummomento de valorização da cultura, que muitas vezes se vê ameaçada pelo consumode álcool e drogas facilitados no contato com a população do entorno que temoutra forma de ver e encarar o mundo.

“Essapassagem é uma oportunidade para a gente valorizar a nossa cultura. É uma dasúnicas manifestações do nosso povo que se mantém viva até hoje. Então nãodevemos esquecer da nossa cultura. Uma forma de realizar isso é trazendo nossosfilhos para partifipar”, acrescentou.  

IracemaXiwatihy Javaé é mãe de um dos meninos que participaram do ritual. Para ela, aexpectativa diante do Hèrèrawo é muito grande. “É um momento de alegria. Agente espera uma mudança de comportamento e (que) contribua para a comunidade”,informou, explicando que esse momento também preocupa, pois é uma fase que elespassarão a ter mais responsabilidade, por terem se tornado homens a partir deentão.

ElâineJardim/Governo do Tocantins

 

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