

Seleucia Fontes
As mulheres empreendedoras fazem a diferença nas diversas regiõesturísticas do Estado.
Cássia Moreiraenfrentou o preconceito e se tornou empresária e condutora de pesca esportiva.Divulgação
Elas estão de malas prontas, inclusive para viajar sozinhas, mas tambémestão nos barcos, nos hotéis, nos restaurantes, nas trilhas que levam osturistas aos mais belos cantos do Estado. “A presença feminina no tradeturístico é cada vez mais forte, assumindo seu protagonismo, com a mulher àfrente dos empreendimentos, empregando todo o seu equilíbrio e determinação emnegócios lucrativos”, pontua o presidente da Agência do Desenvolvimento doTurismo, Cultura e Economia Criativa do Tocantins (Adetuc), Jairo Mariano.
“Estamostrabalhando desde 2017 em São Salvador, na questão de alavancar a pescaesportiva no município e na região Sul do Estado”, conta a empresária CássiaMoreira, que também é condutora de pesca. “Somos mulheres que entraram nestemeio masculino, onde somente os homens mandavam e hoje nós temos mulherestrabalhando na área”, comemora ela, que também possui pousada às margens do rioTocantins, no município localizado a 406 km de Palmas.
“Trabalho nesseramo há 16 anos e convido todas as mulheres que tenham vontade de fazerdiferença em suas regiões a não terem medo. Crie coragem e faça! Hoje, tenhominha pousada, trabalho diretamente com a pesca esportiva e acredito que estoufazendo a diferença”, comemora Cássia, ressaltando que o famtour realizado emoutubro de 2020 pela Adetuc, por meio do “Plano Operacional da PescaEsportiva do Estado do Tocantins”, alavancou a atividade na região.
Atualmente, oEstado possui 47 mulheres guias de turismo inscritas no Cadastro Nacionalde Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur), que não informa dados sobrecondutores.
Uma paixão
Oficialmente, Cirene Morais é hoteleira em Natividade (220 km de Palmas)há mais de 20 anos, mas sua trajetória no empreendedorismo começou muito antes,por meio do trabalho de seus pais, Eurival Milhomens Maranhão e JorsinaCoelho Maranhão. “Minha vida empreendedora começou cedo, meus pais tinhamhotel, restaurante, salão de festa, sorveteria. Aos 7 anos já ajudava”, comentaela, que atuou como funcionária pública, mas foi estimulada pelo pai a ter seupróprio negócio.
Cirenehipotecou o patrimônio da família para construir hotel. Divulgação“Não pensava em voltar para Natividade e muitomenos montar um hotel”, conta. “Fizemos uma pesquisa de mercado e entendemosque aqui era o maior entroncamento rodoviário do Tocantins. Hipotecamos tudoque era nosso e do pai para construir o hotel”, lembra, ressaltando que aorientação aos colaboradores é sempre receber com simpatia, respeito e higiene,“fazer tudo com muito carinho.”
A Covid-19 cobrou seu preço, reduzindodrasticamente a ocupação dos leitos, mas sua família seguiu com as portasabertas. “Hoje, apesar da pandemia, apesar de todas as dificuldades, estamosconsolidados no mercado”, comemora, lembrando que sempre sonhou com odesenvolvimento do turismo nas Serras Gerais. “A região não é mais o corredorda miséria! Para mim, é uma paixão, um sonho poder ver a região despertandopara o turismo”, comemora.
Entusiasta doturismo
Há 6 anos Fernanda Castro era uma servidora públicae entusiasta das belezas naturais das Serras Gerais. “Começamos como voluntários,meu marido e eu. Achávamos que a região precisava de uma visibilidade que nãotinha, e através do projeto que o Sebrae/TO encabeçou a gente começou a ajudar,até sermos orientados a nos formalizar; minha sogra, Malu Isogai, abriu aempresa e nós viramos empreendedores através de uma cachoeira na propriedade dafamília, e estamos crescendo”, conta ela, que também é presidenteda Associação de Desenvolvimento do Turismo Sustentável e ProduçãoAssociada das Serras Gerais do Tocantins (Assegtur).
Segundo Fernanda, com o aumento do fluxoturístico em Rio da Conceição (365 km de Palmas), mais pessoas da família estãosendo agregadas ao negócio, e a ideia é atrair mais pessoas. “Depois de tantotreinamento, agora vejo negócio em tudo, vejo oportunidade de gerar renda,criar empregos, fazer dinheiro, possibilidades de fomentar ainda mais oturismo”, diz entusiasmada, enfatizando a riqueza do turismo, que “abrangevárias áreas, como alimentação, artesanato, atração cultural, hospedagem e osatrativos naturais que o Tocantins tem aos montes.”
Fazendo a diferença
“Eu acredito em um mundo onde a mulher, além de serempoderada também é empreendedora, mesmo que muitas pessoas ainda achem que omundo é dos homens, a mulher ocupou seu lugar e também se destaca”. As palavrasde Rosilene Pereira da Silva, mais conhecida como Rosa de Fogo, ecoamentre mulheres que, assim com ela, precisaram sair de casa para ganhar osustento dos seus filhos. “Me sinto honrada em ser uma empresária do turismo.”
Sua trajetória como empreendedora começou com umacaixa de isopor com latinhas de cerveja e unidades de pão com carne moídavendidas na praia principal do município de Peixe, a 285 km de Palmas, naregião Sul do Estado. “Hoje, me considero uma empreendedora de sucesso,agradeço a Deus por saber que posso ser inspiração na vida de outras mulherescom histórias parecidas com a minha. Sou mãe, dona de casa, empresária e agoraocupo uma pasta no poder público (secretária de Turismo de Peixe), que é maisum desafio”, relata.
Rosa de Fogo revela que recentemente esteve naregião do Jalapão para uma consultoria na área de gastronomia e percebeu oempenho das mulheres em assumir o papel de empresárias e colaborarem nodesenvolvimento do Estado, do município e ganharem o sustento de casa. “Meu recadopara as mulheres: empoderem-se e façam a diferença nesse novo mundo!”
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