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Cozinha Mineira: patrimônio mundial

Cozinha Mineira: patrimônio mundial

11/03/2021 às 14h40 Atualizada em 11/03/2021 às 14h40
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Cozinha Mineira: patrimônio mundial

Sérgio Moreira


Feijão tropeiro, tutu defeijão, linguiça, torresmo e muito mais na culinária mineira

 

Lugar doencontro e do aconchego, onde ganham vida o fogão à lenha, o café passado nahora e o pão de queijo quentinho, as quitandas perfumadas e os assadosfumegantes, a Cozinha Mineira acolhe e resume, de forma singular, a identidadee a pluralidade do estado. É a cozinha típica que também se eterniza natradição das casas de farinha, dos moinhos de milho, das hortas de quintal e nasplantações.

 

Nomomento, uma jornada inédita se apresenta para temperar ainda mais a história ea diversidade da cultura alimentar de Minas Gerais: em um movimento pioneiro nopaís, a Cozinha Mineira, com todos os seus ingredientes, sabores, aromas e modosde fazer, está sendo trabalhada para se tornar patrimônio cultural do Estado edo Brasil.

 

Oprocesso já começa com duas ações articuladas pela Secretaria de Estado deCultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Por meio do Instituto Estadual dePatrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG), órgão responsável pelos registrose tombamentos no estado, a pasta deu início aos estudos para reconhecimento daCozinha Mineira como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais.

 

Apósconcluída esta etapa, será solicitado ao Instituto do Patrimônio Histórico eArtístico Nacional (Iphan) o registro da Cozinha Mineira como patrimônio doBrasil. Os dois passos são fundamentais para pleitear mais adiante, junto àOrganização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), oposto da Cozinha Mineira como Patrimônio Cultural da Humanidade.



 O sabor da comida no fogão alenha é especial

 

A cozinhaé a alma de Minas Gerais, e vai além da sua crescente representatividade noTurismo e na Cultura do estado: a Cozinha Mineira gera milhares de empregosdiretos e é responsável por 30% da vinda de visitantes ao estado, o que faz aeconomia girar nos diversos territórios mineiros. Pão de queijo, café,farinhas, doces, frutos, folhas, cachaças, azeites e queijos são apenas algunsdos itens que movimentam uma imensa cadeia produtiva e têm uma base sólida naagricultura familiar, fundamental instrumento para a valorização dosprodutores, para a preservação da tradição e para o desenvolvimentosustentável.

 

“Nosentido de valorizar todo esse patrimônio, o governo de Minas deu início aoprocesso de reconhecimento da Cozinha Mineira como patrimônio imaterial doEstado, além de elaborar, de forma participativa e colaborativa, o Atlas daCultura Alimentar de Minas Gerais, que vai detalhar todos os alimentos e modosde fazer que são a base da nossa cozinha”, destaca o secretário de Estado deCultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira.

 

“Achegada deste reconhecimento irá projetar o estado mundialmente de formaorgânica, uma vez que a cozinha é um dos principais atrativos turísticos deMinas Gerais”, avalia o presidente da Frente da Gastronomia Mineira (FGM),Ricardo Rodrigues. “Minas é o primeiro estado a reconhecer toda a sua cozinhacomo patrimônio cultural de natureza imaterial, e isso é fruto de um trabalhoque vem sendo realizado há muitos anos. A Cozinha Mineira, representada pelorespeito aos alimentos, pelo trabalho muito bem feito do campo à mesa, pelosmais variados ingredientes, modos de fazer e estilos de servir, traz umaidentidade muito única e nos coloca no patamar das cozinhas mais bemrepresentativas do país. Por esses e vários outros motivos ela já é e vai serainda mais um canal indutor do turismo nos níveis regional, nacional einternacional”, pontuou Rodrigues.

 

Atualmente,a Unesco reconhece algumas tradições relacionadas a alimentos e bebidas comoparte da Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.Entre eles estão a Dieta Mediterrânea, da Região Mediterrânea, a cozinhatradicional mexicana, do México, a refeição gastronômica dos franceses, daFrança, a base da culinária japonesa, chamada de Washoku, do Japão, e pratos eingredientes específicos de países como Armênia (Lavash) e Turquia (café).

 

Ter aCozinha Mineira e todo o imaginário que ela abriga nesta lista representativada ONU colocará Minas Gerais e o Brasil em outro patamar do turismo mundial –de acordo com pesquisas recentes de empresas que prestam consultoria para aindústria do turismo em nível internacional, as duas principais tendências deviagens para os próximos anos envolvem experiências gastronômicas e maiorproximidade com as comunidades locais.

 

Doce de leite, goiabada comqueijo mineiro é espetacular

 

Para apresidente do Iphan, Larissa Peixoto, a riqueza da cultura alimentar de Minas influênciade forma direta o processo de valorização do turismo cultural. “Em Minas Geraisjá temos o registro do Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas nas regiões doSerro, da Serra da Canastra e do Salitre, e está em andamento o registro doOfício das Quitandeiras de Minas. Estes saberes tradicionais constituemexpressões de mineiridade e seus detentores os transmitem a cada geração. Nessecontexto, a culinária mineira vai muito além do ato de se alimentar. Éexpressão de cultura, ato social de formação identitária, fundada na memória ena tradição. Sua riqueza gastronômica contribui diretamente no processo devalorização do turismo cultural e do desenvolvimento social e econômico. Oreconhecimento da Cozinha Mineira como Patrimônio Cultural do Brasil é degrande importância para a valorização e preservação dessa rica e saborosaidentidade”, argumenta a dirigente do Instituto nacional.

 

Com basenos aspectos da diversidade, da história, da identidade e dos modostradicionais de fazer, a Cozinha Mineira é um prato cheio para os viajantes quesaem em busca de experiências aconchegantes em Minas Gerais, único estado brasileiropresente na lista das 10 regiões mais acolhedoras do mundo, segundo a TravellersReview Awards 2021, da empresa Booking.com.

 

O olharpara os sabores da Cozinha Mineira já faz parte das ações de reconhecimento dosbens culturais de natureza imaterial de Minas Gerais desde seus primeirosprocessos. Em 2002, o Iepha-MG registrou o Modo de Fazer o Queijo Artesanal daRegião do Serro, que se tornou o primeiro registro imaterial do país. Desdeentão, muito se avançou no campo da preservação do patrimônio cultural denatureza imaterial.

 

Outro bemcultural mineiro que tem referências culinárias em sua identidade é a Festa deNossa Senhora dos Homens Pretos de Chapada do Norte, registrada como patrimôniocultural imaterial de Minas Gerais em julho de 2013. O inventário das casas defarinhas e moinhos de milho também está em andamento e o cadastro jácontabilizou 397 casas e moinhos distribuídos em 204 municípios, sendo que omunicípio do Serro concentra o maior número: 23 casas de moinhos cadastrados.

 

Paraamarrar estes processos, está em construção, conduzida pelo Iepha-MG, o Atlasda Cultura Alimentar de Minas Gerais, que integra o percurso em direção aoreconhecimento da Cozinha Mineira e irá fornecer elementos para permitircompreender o processo econômico e social envolvido no âmbito desta extensa evaliosa cadeia produtiva.

 

Apresidente do Iepha-MG, Michele Arroyo, ressalta o forte traço presente nacultura gastronômica de Minas que ajuda a compreender a história do estado, doBrasil, e sua articulação diante de outros países. “Podemos perceber aexpressão cultural da Cozinha Mineira na arquitetura, nas nossas paisagensculturais, nas festas, no nosso modo de receber quem vem de fora, decompartilhar o alimento, as receitas, de viver a vida privada e a coletiva noslugares de encontro, no próprio espaço da cozinha e no espaço público. Essacultura alimentar está viva em Minas, transcende o nosso espaço físico e passaao nosso patrimônio imaterial. A partir de referências nacionais e internacionais,essa cultura se ressignificou e se consolidou como algo essencialmente mineiro.Pensar na Cozinha Mineira é pensar nas articulações e na centralidade que elatem na vivência da cultura de Minas Gerais por cada um dos mineiros, para quemnos visita e para quem é de fora do país”.

 

A pesquisadora em gastronomia e chef decozinha Vani Pedrosa salienta que a Cozinha Mineira é contemporânea dela mesma,pois sobrevive ao passar do tempo e se adapta constantemente. “Ela constitui umprocesso de memória do mineiro e guarda suas origens históricas, culturais e dabiodiversidade do estado. Ao mesmo tempo, é inovadora e dinâmica. Aopreservá-la como um patrimônio, são resguardados a tradição, os modos de vida eo afeto de Minas Gerais. A nossa cozinha é muito familiar: desde os primórdios,o alimento sai do quintal, passa pela cozinha e vai para a mesa. Quem vaicozinhar sabe o que tem na horta, sabe a melhor forma de colher os alimentos,de prepará-los, e com isso vem a relação afetiva com a comida e o entendimento dafamília como um processo de alimentação integral – do corpo, da mente e doespírito. O alimento à mesa, para nós, mineiros, não é só nutrição. É tambémsinônimo de encontros, partilha e acolhimento”, aponta Vani.



 Para o chef de cozinha, pesquisador e professor de GastronomiaEdson Puiatti, “o reconhecimento vai proteger a cultura alimentar de Minas enos referendar como mineiros, porque carregamos patrimônio desde o nascimento,seja pelas memórias familiares ou pelas nossas próprias. Chega no momentocerto, em que a nossa cozinha completa 300 anos”. Ele destaca a importância detoda essa trajetória ser permeada por rituais, crenças, heranças e influênciasde tantas etnias. “Costumo dizer que a Cozinha Mineira vai muito além datradição e das histórias, pois ela se traduz, também, em comportamento,simplicidade e hospitalidade. Tudo o que reflete o jeito mineiro de ser”,comenta o chef.

Festuris Connection

 

O Festuris Connection, evento exclusivo queacontece de forma presencial e online nos dias 6 e 7 de maio, no Hotel MasterGramado, confirmou mais um grande nome como palestrante. O empreendedor eescritor Geraldo Rufino abrirá a imersão em vendas Top Performer levando aosparticipantes a sua palestra “O Poder da Positividade”. 

De catador de latinhas a dono da maior recicladorade caminhões da América Latina, a JR Diesel. A história de vida de Rufino e aforma como conseguiu se reerguer as seis vezes que quebrou, o fez ser destaqueno mundo do empreendedorismo e especialista no tema positividade

Geraldo Rufino já inspirou milhares pessoas comsuas palestras, teve mais de 50 mil exemplares vendidos com seus dois livros ehoje é um fenômeno nas redes sociais com quase 1 milhão de seguidores. No dia 6de maio, ele estará compartilhando suas lições de vida e vivências no palco doFesturis Connection.

 

O evento terá como destaque a imersão TopPerformer, um grande treinamento de vendas do Turismo, e na modalidadepresencial também contará com espaços para geração de negócios e networking,mentorias com especialistas e workshops de comercialização de produtos.

A pré-venda de ingressos segue até o dia 22 demarço com valores especiais. A inscrição custa apenas R$ 199 no online e R$ 299no presencial. A compra pode ser feita pelo site www.festurisgramado.com/connection,onde também estão todas as informações sobre o evento.

O Festuris Connection tem o patrocínio de SicrediPioneira RS, Master Hotéis e Nano Comunicação e Eventos.

Programa de Reputação e Engajamento Digital daGastronomia

OPrograma de Reputação Digital da Gastronomia de BH disponibiliza aosinteressados um relatório personalizado do seu negócio, que permite entender econhecer a própria reputação e o engajamento digital nas principais plataformasde avaliação (Google Meu Negócio, Facebook/Instagram, Trip Adivisor, IFood eYelp). O relatório personalizado será gratuito para os 200 primeiros inscritos.

Programade Reputação e Engajamento Digital da Gastronomia de BHvai até  30 de março, Evento on-line, Inscriçõesgratuitas: [email protected] ou  (31) 3379-9179, Conheçamais detalhes sobre o projeto no link: http://www.mg.agenciasebrae.com.br/sites/asn/uf/MG/inscricoes-abertas-para-o-programa-de-reputacao-e-engajamento-digital-da-gastronomia-de-bh,5162b8dab6177710VgnVCM1000004c00210aRCRD

 Coluna Minas TurismoGerais  Jornalista Sérgio Moreira  informações [email protected]    @sergiomoreira

 

 

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