
Seleucia Fontes
Oitoprojetos foram aprovados pelos editais 03 e 21, somando R$ 337,5 mil emprêmios, e serão executados ao longo deste ano.
O reconhecimento aos povos ancestrais do Tocantinsestá presente no Edital 21, exclusivamente dedicado aos Povos Indígenas, etambém se faz presente como temática em projetos aprovados em outros editais daLei Aldir Blanc, lançados no ano passado, para minimizar o impacto gerado pelasmedidas de enfrentamento da Covid-19, e que serão executados ao longo de 2021.
Os editais foram elaborados pela Agência doDesenvolvimento do Turismo, Cultura e Economia Criativa (Adetuc), por meio daSuperintendência de Cultura, e previamente discutidos com os integrantes doConselho de Política Cultural do Tocantins (CPC-TO).
Por meio do edital específico aos Povos Indígenasforam aportados R$ 675.000,00 para pagamento de prêmios. Ao final do processode seleção foram aprovados sete projetos, que juntos somam o valor de R$239.500,00. São eles: Escola Tradicional Tyrkren, proposto por Getúlio OrlandoKrahô; Pintercâmbio Cultural dos Povos Indígenas de Tocantins e Maranhão, deAndré Cuhehke Krahô; Artesanato Índígena Xerente: Resgate e transmissão dossaberes dos anciãos para as crianças e jovens, de Ikwatkadi de Brito Xerente;Luta Corporal - INY IJESÚ, de Domilto Inaruri Karajá; 10envolver Akwê Xerente,de Sikupti Maciel de Brito Xerente; I Encontro Cultural Indígena Xerente em RioSono, proposto pela ACRS Terra Dourada, e Cantos e Mitos: Manter Viva NossaVoz, de Gustavo Xôhtyc Krahô/Associação Centro Cultural K’YJRE.
Com seu projeto, Domilto Inaruri Karajá, tambémconhecido como Bill, quer mostrar a importância da luta corporal INY IJESÚ nocontexto da preservação de todo o ritual de passagem dos meninos Iny para paravida adulta, o Hetohoky. “Historicamente, o grande lutador reinava na aldeia,ele não deixava passar no rio Araguaia, porque primeiro tinha que lutar parapassar por ele, e as pessoas passavam de madrugada para não lutar com lutadorforte, por isso ele tinha influência muito forte na vida da comunidade indígenaIny”, diz, explicando que o confronto acaba quando um lutador consegue derrubaroutro de costas no chão.
A regra geral é lutar por duas vezes, ganhar asduas ou empatar, para seguir em novo desafio. “O lutador se prepara ao longo davida para adquirir a técnica de luta com uso de perna e a técnica de defesapara evitar as habilidades de seus adversários”, completa.
Além dos projetos do Edital 21, também foi aprovadaproposta da Associação Indígena Awkere para a realização da 11ª Feira Krahô de Sementes Tradicionais, novalor de R$ 98 mil, pelo Edital 03, na categoria Cultura Tradicional,Popular e Urbana. O evento tem previsão para ser realizado no mês de junho, naAldeia Cachoeira, que possui 425 habitantes. A etnia tocantinense foi pioneirano resgate, preservação e difusão de suas sementes, um trabalho iniciado há 27anos.
“As Feiras de Sementes Tradicionais são muitoimportantes para o nosso povo, pois elas nos trazem incentivos e mostramcaminhos práticos que nos possibilitam continuar conservando nossas sementestradicionais, sem precisarmos de solicitar sementes externas”, explica ocacique Pehrà Krahô. A primeira edição ocorreu em 1997, porém o eventotornou-se inviável nos últimos anos. “Cada semente é um filho nosso, precisamoscuidar para fortalecer nossa mãe Terra”, ressalta o cacique.
“Tenho certeza que os projetos apresentados porindígenas e associações trarão grande benefício às suas comunidades e maiorconhecimento sobre suas tradições por parte do público em geral”, comemora opresidente da Adetuc, Jairo Mariano, ao informar que a elaboração de editaispor segmento teve como meta atender o maior número possível de representantes daarte e da cultura tocantinense, sendo esta uma das determinações do governadorMauro Carlesse desde o início da pandemia.
Outros projetos
Preservação doartesanato Xerente também é tema de projeto aprovado. Tharson Lopes / Governo do Tocantins
A temática indígena também está presente em outrosprojetos aprovados por meio da Lei Aldir Blanc. O Edital 13 - Artesanato traz oprojeto proposto pela historiadora Amanda Ferreira Teixeira, para realização daMostra de Cultura e Produção de Artesanatos Ixybiòwa. Por meio do Edital 17 -Literatura, o indigenista Fernando Schiavini aprovou a produção do livro O Tribalismo,enquanto o Edital 18 - Mestres e Mestras traz o projeto Valorização eComercialização do Artesanato na Terra Krahô, proposto por Simone Moura. Já omúsico Paulo Henrique Braga (Paulinho Braga) aprovou o projeto Sonoridade dosPovos Indígenas pelo Edital 19 - Música.
“Nosso catálogo pretende promover e valorizar opatrimônio cultural mantido vivo pelo povo Krahô, será um convite para o leitorconhecer um mundo tecido em sementes, contas, linhas e tramas pelas mãoshabilidosas e o olhar atento dos artesãos Krahô”, explica Simone Moura, aoressaltar que a Associação Centro Cultural Kyire receberá 500 exemplares paraserem levados às feiras, no Brasil e exterior.
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